Máscara Negra
Malu Morais
Eu me atordoo
eu me atormento
eu vivo por aí a me iludir
na sofreguidão de viver cada momento
Eu digo que aprendi a conviver
com a irônica malícia da solidão
e me convenço que assim vou proteger
esse meu pobre e machucado coração
Eu me entrego a relações acidentais
eu me perco em amores inconsequentes
e esqueço que no fundo de mim mesma
eu abrigo uma ingênua esperança
de desejar que cada novo companheiro
venha a ser o parceiro derradeiro
o derradeiro passo dessa errante andança
Eu finjo uma liberdade que não tenho
eu transmito uma segurança enganadora
eu demonstro uma pseudo-experiência
e me escondo nesta máscara protetora
Eu camuflo o vazio mais intenso
na exuberância dos gestos largos e do sorriso franco
Eu exploro o meu charme
eu jogo o meu encanto
eu brinco de autossuficiência
por não querer revelar ao mundo
o grau intenso e profundo
de minha resguardada carência
Eu sou uma frágil andorinha
um andarilho beija-flor
No fundo
eu sou uma mulher sozinha
atordoada
à procura do amor...

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